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Contradições e hipocrisia. Os desafios de quem já legalizou a cannabis

Foto: Andres Stapff

O sistema financeiro mundial e as entidades reguladoras criam entraves a estados e países que tentam uma forma alternativa de combater o tráfico de drogas e o crime organizado.

Menos de um mês depois do início das vendas de maconha legal nas farmácias do Uruguai, uma das credenciadas para esse produto e mesmo com os excelentes resultados financeiros alcançados, se retirou do negócio.
A razão: a sua conta bancária, no Banco Santander, fora bloqueada pela instituição seguindo diretivas da matriz espanhola. Logo o banco Itaú também se manifestou dizendo que não aceitaria qualquer conta vinculada a negócios com cannabis.

“O dia 26 de julho chegou a notificação de que o banco Santander ia fechar a minha conta… sem dar motivos. Como agora é público não ocultaram que é pela comercialização de cannabis.
O IRRCA (Instituto de Regulación y Control de Cannabis) faz todo o possível, mas os bancos dirigem o mundo.”
Esteban Riveira, proprietário da farmácia montevideana Pitágoras.

Inicialmente, o Banco República (BROU), instituição do Estado uruguaio, pareceu que iria se fazer cargo da situação, mas outros bancos internacionais – Citibank e Bank of America entre eles – ameaçaram interromper as transações em dólares se o BROU sustentasse sua posição.Santander contra regulamentação da cannabis

É de destacar que, mesmo com a legalização em curso em mais de vinte estados norte-americanos, negócios com cannabis continuam proibidos pelas leis federais.

O Banco da República decidiu então suspender as contas das 15 farmácias que ainda fornecem maconha legal aos mais de 13 mil consumidores cadastrados pelo Governo Uruguaio.

Desta maneira, a instituição uruguaia colocou a legislação de uma nação estrangeira acima de uma lei nacional adotada pelo parlamento do Uruguai que autoriza a venda e produção de maconha.

O ex-Presidente José Mujica, em sua coluna semanal na Deutsche Welle, acusou aos bancos e ao sistema financeiro de atentar contra a Democracia.

Afinal bancos ao redor do mundo recebem dinheiro de procedência duvidosa sem manifestar tanta cautela.

Problemas dos cultivadores de cânhamo industrial nos EEUU

Já é de conhecimento do mercado agrícola e industrial que o cânhamo fornece matéria prima para um sem fim de aplicações.

Forragem, tecidos, papel, óleo, biodiessel, peças automotivas… a lista é enorme e com as pesquisas em curso que se incrementaram após a legalização, continua a crescer.

No entanto, os cultivadores norte-americanos que se arriscaram a introduzir a cultura, os problemas parecem longe de acabar.

Fazenda de cânhamo industrial
Fazenda da cânhamo em Colorado.

Além das restrições do sistema financeiro, que recebe com beneplácito os impostos gerados pelos negócios com cannabis mas impede o uso de cartão de crédito para as transações originadas nesse mercado, os produtores de cânhamo enfrentam desafios tais como a impossibilidade de acesso ao seguro agrícola, a incerteza quanto ao destino da sua produção, legislação fraca e recheada de contradições, falta de informações e mesmo dificuldade para se acolher aos direitos federais de água, porque o Bureau of Reclamation proíbe que ela seja usada para substâncias controladas pelo governo federal.

O fazendeiro Jim Strang não conseguiu obter uma conta bancária para o Green Acres Hemp Farm, uma pequena operação de cânhamo no sul do Colorado. Os Strangs foram cortados de Paypal, Square e Stripe, e só podem aceitar dinheiro ou cheque pelos seus produtos: bálsamo labial, loçãoe outros compostos com CBD.
“Está sendo muito desafiador”, disse Strang. “Nós somos as pessoas que vão assumir a maior parte dos riscos, já que somos os primeiros na indústria tentando fazê-lo”.

Até para conseguir sementes há dificuldades. No início foram utilizadas sementes de cânhamo selvagem, restos das épocas em que cultivar cannabis não era crime e a planta era utilizada para a fabricação de cordas e tecidos. Outros desenvolveram variedades com baixos índices de THC ou procuraram contrabandear sementes de outros países.

Hoje, mesmo com a pujança do mercado que de pouco mais de 80 hectares em 2014, quando o cultivo foi legalizado no estado de Colorado, passou para as mais de 9 mil hectares previstas para a colheita deste ano, ainda não há sementes certificadas o que, se espera, aconteça em 2018.

Fontes: The Cannabist
Montevideo Portal
La Nación
Ámbito

O sistema financeiro mundial e as entidades reguladoras criam entraves a estados e países que tentam uma forma alternativa de combater o tráfico de drogas e o crime organizado. Menos de um mês depois do início das vendas de maconha legal nas farmácias do Uruguai, uma das credenciadas para esse produto e mesmo com os excelentes resultados financeiros alcançados, se retirou do negócio. A razão: a sua conta bancária, no Banco Santander, fora bloqueada pela instituição seguindo diretivas da matriz espanhola. Logo o banco Itaú também se manifestou dizendo que não aceitaria qualquer conta vinculada a negócios com cannabis. "O…

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