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Elisaldo Carlini e Gilberto Castro

Burrice ou estratégia?

Às vezes alguns acontecimentos nos fazem sentir tentados a criar teorias conspiratórias pois pensamos: “Isto não pode ter sido tão simples assim!”

É o caso de duas notícias que apareceram na imprensa nacional nas últimas semanas e que importam para quem, como nós, militam para que o Brasil tenha uma atitude e uma legislação mais realista sobre a questão das drogas em geral e da maconha em particular.

A primeira foi a intimação, por parte do Ministério Público de São Paulo, do cientista e pesquisador Elisaldo Carlini para prestar depoimento sobre o inquérito aberto por apologia ao crime.
Elisaldo, professor emérito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), é mundialmente reconhecido pelas suas descobertas sobre os efeitos de entorpecentes sobre o organismo humano com ênfase na ação medicinal da cannabis. Seus artigos foram mencionados 12 mil vezes por revistas e outras publicações internacionais, tendo recebido diversos prêmios pelo seu trabalho científico.
O professor já com 88 anos e com a saúde debilitada pelo câncer teve que se dirigir à 16º Departamento de Polícia, na zona sul de São Paulo para prestar depoimento.
A notícia, que teve repercussão internacional, provocou a publicação de um manifesto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC) apoiada por mais de 40 sociedades científicas no Brasil e alhures.

A outra notícia que nos deixa estupefactos é o mandado de busca e apreensão emitido por uma juíza de São Paulo contra o conhecido ativista Gilberto Castro.
Gilberto que é advogado e portador de esclerose múltipla estava com um pedido de hábeas corpus preventivo para obter autorização do cultivo caseiro de cannabis. A juíza não apenas negou o pedido como ordenou a busca e apreensão das plantas.
Os policiais enviados mostraram-se constrangidos e explicaram que estavam apenas cumprindo ordens não encontrando qualquer planta – dois meses antes as mesmas teriam morrido por uma peste.

A pergunta que fica pairando no ar é: em um momento em que o cidadão comum vive em um clima de insegurança atroz, exposto a todo tipo de violência – assaltos, balas perdidas, violência gratuita, desmandos por parte do Poder Público e outro sem-fim de atentados à vida, em que tipo de cabeça entra ocupar as forças da ordem, polícias civis ou militares, e todo o aparelho da Justiça em questões que não apresentam qualquer ameaça para as pessoas?
Em ambos casos a reação da sociedade foi de apoio aos afetados, o Prof. Carlini e o Dr. Castro, e de repúdio às atitudes dos promotores das ações.

Daí o nosso questionamento inicial: será que houve um objetivo retorcido de criar um factoide que incentive a discussão séria da regulamentação da cannabis medicinal?

É claro que se trataria de uma teoria conspiratória, mas parece tão obtuso o pensamento desses operadores da Justiça, indo na contramão de tudo que os países desenvolvidos – e nem tão desenvolvidos – vem estudando e promovendo, que ficamos abismados de estarmos nas mãos de indivíduos tão ignorantes – pois desconhecem os fatos comprovados dos benefícios da cannabis; fanáticos – pois antepõem suas crenças às reais prioridades do momento; e/ou incompetentes – já que mobilizam recursos dos agentes da ordem contra supostas infrações de pouca ou nenhuma periculosidade e que não resultam em qualquer benefício para a sociedade a que servem.

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